A Fundação de Alexandria

 
         
 

O que o Ventor me conta!

Ouçam o que ele me diz! Vou contar-vos a história como o Ventor ma contou.

 
         
     
         
 

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Alexandria foi uma cidade importante ao ponto de merecer a intervenção de grandes homens de diferentes civilizações, como Pompeu, outros romanos e gentes de outros quadrantes, mas a sua fama está na sua Biblioteca e na propagação do Helenismo

 
         
     
         
 

Disse-me o Ventor que uma vez, dois e tal milénios para trás, o seu amigo Alexandre, ... aquele que...(o Grande, sabeis!), encontrava-se junto a uma praia numa terra que se chamava Egipto, de pé, apoiando os seus braços na garupa do Bucéfalo a olhar o mar e a pensar nos seus próximos passos quando o Ventor, em mais uma das suas surtidas pelo planeta Terra se aproximou montado no seu cavalo branco Antar. Alexandre largou o Bucéfalo e o Ventor, ainda afastado, largou o Antar e os dois cavalos começaram a correr um para o outro e começaram uma belíssima brincadeira correndo, escabriolando, a par, pela praia fora junto às águas do mediterrâneo.

 

Alexandre, ficou sorrindo, de braços cruzados, vendo os cavalos correr enquanto o Ventor, caminhava devagar, calçando umas sandálias gregas que deixavam entrar a areia seca a roçar-lhe a pele dos pés e penetrando entre os dedos e já estava a ficar danado por ter descido do Antar. O Ventor nunca gostou da areia seca das praias mas, também estava contente, ao ver como o Bucéfalo e o Antar se davam tão bem.  Alexandre, ia olhando o Ventor pensando como começar mais uma grande conversa que nunca mais acabava, sobre os desígnios que levaram Alexandre por terras do Egipto. Nessa conversa, voltou a repetir, ao Ventor, as razões porque pretendeu fazer-se Faraó do Egipto (depois fez um sinal com a cabeça apontando para a aldeia de Rhakotis) e como ele, o seu novo Faraó,  iria sem qualquer dúvida, tornar-se inesquecível na história das gentes do Nilo.

 

O Ventor sorriu e não achou grande piada, por ele se dizer filho de deuses mas como isso não era da sua conta e daí não viriam grandes males ao mundo, perguntou a Alexandre se achava que se tornaria realmente "grande" pelo facto de se tornar Faraó do Egipto, esquecendo-se que ainda iria ter de voltar a encontrar os persas pela frente e resolver o problema de Dario III que, para Alexandre, tinha cometido o maior crime de todos quando insultou o seu pai (o rei Filipe da Macedónia), então morto.

 
         
     
         
 

Mas Alexandre, sempre pensativo, sentou-se na areia seca pegando num pauzinho também seco que tinha sido para ali transportado pelas ondas do mar Mediterrâneo e apontando o chão para o Ventor, começou a traçar sulcos na areia. O Ventor ajoelhou-se na areia e perguntou a Alexandre para que serviam aqueles gatafunhos rectos e curvos que ele continuava a traçar na areia seca. "O sistema não é bom" - disse Alexandre, ao ver que a areia de tão seca que estava rolava logo entupindo os sulcos e, levantou-se dirigindo-se para a areia húmida, fazendo sinal ao Ventor para o acompanhar. Foi ali na areia húmida das costas do mar Mediterrâneo  que Alexandre traçou para o Ventor aquilo que podia ser considerada a planta arquitectónica daquela que viria a ser a bela cidade de Alexandria.

 

Alexandre traçou e retraçou a areia e por fim, virou-se para o Ventor e disse-lhe: "vês! Isto que vês aqui, é a planta daquela que, como tu já sabes, vai ser uma das mais importantes cidades deste mundo oriental".

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Como não encontro imagens de Alexandria que possa usar, deixo-vos estas imagens tiradas da Wikipédia, e se referem já aos tempos de Pompeu

 

 

 

 

 

 

 

             
     
             
 

Depois levantou-se e com as suas sandálias começou a destruir a célebre planta da futura cidade de Alexandria, olhou o Ventor, apontou para a testa e disse: "já está aqui, se não fosse eu a destruí-la seria o mar, e já tenho homem para realizar esta obra, tal como eu a quero. É o Dinocrates". «Sim, ele é bem capaz», disse o Ventor.

E o Ventor prosseguiu com a sua narrativa:  

 «Alexandre e eu encontramo-nos ali, junto ao mar nesse local onde hoje fica a cidade de Alexandria e ficamos a olhar as ondas serenas do Mediterrâneo a fazerem a areia rebolar-se naquela espuma branca, onde as gentes da aldeia próxima, chamada Rhakotis se costumavam refrescar. O barulho que ouvíamos junto ao mar, não era a água furiosa, era a areia a rir às gargalhadas quando a água faz cócegas nas barriguinhas bojudas daqueles pedacinhos de rochas desfeitas pelo caminhar dos milénios, as areinhas que estavam, sossegadas, a apanhar sol.

 

Nós, conversávamos sobre aquela mania que o Alexandre teve de se fazer Faraó do grande Egipto numa época desmoralizante para os egípcios, mas Alexandre era um teimoso e teria de levar a dele avante. E levou! Depois achou por bem acalmar a minha má vontade de não o apoiar nessa sua caminhada que levara a cabo algum tempo atrás, quando se entusiasmara pela rababa. Então, olhou-me, pegou no tal pauzinho e riscou na areia o plano daquela que viria a tornar-se numa das mais famosas cidades de tempos passados - a cidade de Alexandria.

 
             
 

De repente, numa grande cavalgada pela praia fora, chegavam oficiais de Alexandre com más notícias. Dario III já tinha organizado um poderoso exército e preparava-se para correr, de vez, com Alexandre e as suas falanges das terras que considerava suas. No Egeu e no Mar Negro, as marinhas reorganizavam-se e Dario concentrara o seu poder naval, em Halicarnasso, mas Alexandre não estava só e já conseguira que os barcos de Chipre se aliassem aos seus que já tinham destruído as marinhas fenícia e cartaginesa por causa do cerco de Tiro, na Fenícia.

 

Tiro tinha caído e Alexandre preparava-se para a eventualidade de voltar a ter as forças de Dario III pela frente. E foi isso! Em 6 de Abril de 331 AC, segundo as contas do Ventor, Alexandre deu ordens de marcha às suas falanges que voltaram a passar pela Fenícia rumo à Pérsia de Dario. Porém, antes de partir, deixou Dinocrates incumbido de construir a cidade de Alexandria tal comoele pretendia.

 

Essa cidade foi famosa, fundamentalmente, por se tornar um pólo cultural, com a sua grande Biblioteca, atravessando todo o tempo a que chamamos Helenismo e prosseguindo para além dele.

 

Por isso, hoje, recordo, o nascimento da bela cidade de Alexandria, porque segundo as contas do Ventor, faz hoje 2.338 anos que Alexandre deixou para trás aquele belíssimo local e, por isso, deixo aqui a minha homenagem ao nascimento de Alexandria e à audácia de Alexandre.

 
         
     
         
  Agora o Ventor contou-me outra história. Venham comigo gato8.jpg e vejam Bucéfalo, o cavalo de Alexandre. Depois podem partir para outras histórias que eu vos conto nesta Grande Caminhada  
         
         
         
         
         

 

 

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